terça-feira, 23 de setembro de 2008



Ainda sobre o Café Filosófico do último domingo, 21, exibido na TV Cultura. Em um dado momento, Maitê Proença - que estava impressionantemente articulada - disse algo que me comoveu.

Sobre as diversas máscaras que usamos para nos proteger ou seduzir as outras pessoas, para que possamos ser queridos pelos outros (a exemplo do que postou aqui a Faxineira Marinha do Brasil), ela usa o exemplo do povo simples da roça. Quando uma pessoa por nós chamada de "caipira" - pira pora, Nossa Senhora de Aparecida - não tem mais o que dizer sobre algo, ela se cala.

No vocabulário de quem é sertanejo cabem um "boa noite", um "bom dia", "estou com sono", "estou com frio", "estou com fome" - como exemplificou Maitê. E, quando não há mais nada a dizer a pessoa simplesmente se cala. Isso me comoveu muito. É preciso aprender o silêncio e se houvesse um local, com fila quilométrica, senha e dias de espera....ainda assim: eu estaria lá. Me incluo no roll de pessoas que não conseguem treinar o silêncio.

Lembro-me de férias que passei na casa do meu avô, na fazenda. Eram 21h. O único barulho que se ouvia era a televisão ligada. Eu estava feliz em ver TV na fazenda. Como quem dá uma ordem, meu avô disse: _É hora de dormir. Desligou a TV. E eu fui obrigada a ouvir e perceber o silêncio - e a lidar com ele. Foi assustador no começo. Ainda tentei pegar o celular para dar umas ligadas, mas não tinha muito sinal. Então fui para a varanda e esperei. Todos na casa haviam se recolhido, como de costume, às nove horas da noite. Tudo corria normalmente, exceto dentro de mim.

Sem filosofia piegas de livros de frases feitas, nem rima de música de Zeca Baleiro, mas quando Maitê me colocou diante da TV com a simplicidade do silêncio - o silêncio puro e simples, sem ser usado como arma de punição, nem como escolta, nem como máscara. O simples aceitar de que não se sabe o que dizer e ponto, algo dentro de mim se calou.
Faxineira ponto G

3 comentários:

Poli Macedo disse...

oi oi..

muito bom.. as vezes precisamos mesmo.. escutar o silêncio e ponto!

bjo..

23 de setembro de 2008 07:57
Marinha do Brasil disse...

amiga você está tão filosófica...rs...acho que vão te convidar pra ir no Café Filosófico qualquer dia desses...iria ser legal. já pensou??? rs

23 de setembro de 2008 12:08
disse...

Depois que temos filhos, damos MUITO mais valor ao silencio puro e simples. Temos necessidade dele, porque no dia-a-dia com uma criança tagarela e criativa, fica difícil ouvir até mesmo os nossos pensamentos

23 de setembro de 2008 13:40