segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Guerra dos sexos



Se não fosse o baita tesão que tenho nos homens, a atração física, o desejo sexual pelo pinto - gosto de falar assim - sinceramente, me relacionaria com uma mulher.

Apesar de menstruarmos e termos TPM (Tensão Pré-menstrual, ou Tendência para Matar) nós falamos a mesma língua. Eu não consigo entender os homens. Ok! Sei que eles têm só dois botões: o de liga e o de desliga. E que, conforme todos os livros junguianos, e os outros de auto-ajuda: "Homens são de marte, mulheres são de vênus", "Ele", blá, blá, blá... eles são menos complexos que nós, me indigna o fato de, sendo nós mais complexas e completas, que cabe à nós o imenso fardo de compreender que eles "não conseguem se abrir", que são ligados às mães, que têm medo da entrega. Primeiro, não sou estivador. Sou mulher. Segundo, se não conseguem se abrir que façam terapia, não sou psicóloga, se são ligados às mães 30 anos depois de cortarem o cordão umbilical, que procurem um psiquiatra mais freudiano. Tomem remédios, se virem!

A ciência podia evoluir e criar um vibrador com cérebro, ou melhor, um vibrador que tenha um gravador também para dizer palavras doces no nosso ouvido e um cartão de crédito (estou exagerando, sabemos que homens tem mais a oferecer do que isso...abrem latas, trocam lâmpadas...levam cargas...). Mas eles também superestimam o pinto, então, por que não brincar com isso?

O fato é que os homens ainda não estão prontos para essas novas mulheres. É só olhar em volta. Tirando uma ou duas que realmente estão desesperadas pela ausência de homem do mercado - e é nisso que os homens se agarram para serem canalhas - a maioria de nós realmente não "precisa passar por isso". Essa expressão "não preciso passar por isso" é que leva a cabo a maioria dos relacionamentos.

Outro dia li na revista que a Elba Ramalho (que aliás está horrível com a cara de botox)tinha perdoado o Gaetano (aquele gato do marido dela) de uma traição. Super fácil assim: ele é um gato muito mais novo, super amoroso e etc. Assim é fácil perdoar...agora alguns caras são feios, pouco amorosos, lascados do talo e, pasmem!, mesmo assim ainda se sentem no direito de trair. Ai não né? Ai fica difícil perdoar. Até para trair é preciso habilidade...rs. E a mulher de hoje, como Elba Ramalho "não precisa passar por isso". Agora ela se separou dele, ao que parece.

Na época de nossas avós, havia a necessidade de se passar por cima dos mais distintos valores pessoais; mulheres não trabalhavam, não tinham grana, tinham uma renca de filhos e não sabiam nada além do que executavam em casa. Hoje não é mais assim, boa parte das mulheres trabalha e, o que é melhor, ganha mais que seus namorados, noivos ou maridos. A casa quando não é dos dois, por vezes é da mulher. Ou seja, a mulher realmente "não precisa" engolir certos sapos. E o desafio agora para o homem é o que sempre deveria ter sido: ser feliz e fazer feliz a sua companheira. É isso ou tchau. Apesar que essa nossa indenpendência nos deu também uma certa arrogância, que precisamos administrar. Mas mesmo assim, sobra sempre para as mulheres. Esses dias estava no trabalho e uma mulher limpava o chão e eu disse: "Nossa, estou tão cansada. Só quero dormir". E ela: "Eu também, mas chegando em casa ainda tenho que limpar a casa e cuidar dos filhos". Imagine! E ainda precisa estar sexy porque senão o cara larga ela por uma mais "amorosa". Não é mole não...Lembrem-se de suas mães. De como elas conviviam em casa.


Não há mais dependência financeira, não há mais medo de ficar só com os filhos...então cabe aos homens agora o que deveria sempre ter cabido nos relacionamentos: ser felizes e fazerem felizes suas mulheres. Parece que nem todos os homens sabem como lidar com isso. O duro é que nem nós sabemos ao certo o que nos faz felizes....é uma busca constante. Coitados, nem todos foram acostumados a isso. Mas...como disse no começo: problema deles. Tivemos que nos adaptar depois da queima dos sutiãs. Tivemos que ir pro mercado e ganhar menos, tivemos que disputar vagas com eles, ir para as universidades (mesmo com filhos para criar - que o digam as mulheres das gerações 70 e 80). Tivemos que ler livros de auto-ajuda para nos manter serenas com todas as responsabilidades (que o façam!), tivemos que entrar na terapia para entender os conflitos em casa e até para saber lidar com eles (que eles também entrem). Tivemos que mudar nossa rotina para a tripla jornada - casa, trabalho, filhos e etc. Tivemos que fazer aulas de pompoarismo, tivemos que colocar silicones, malhar, fazer dietas...Somos sempre nós que temos que nos adaptar. Por isso, admiro mais as mulheres que os homens. E isso me leva a dizer que se não fosse todo o desejo do que é oposto - e que vai além do pinto, o oposto como um todo -, seria muito mais simples namorar mulheres. Já ouvi muitas de nós falarem isso. Mas têm aquelas que falam também: "ainda bem que sou mulher e gosto de homem, porque mulher é muito complicada". Realmente, somos. Mas que eles se adaptem ao nosso jeito também.

Já que há a diferença e não há como negá-la. Viva a diferença e que busquemos o equilíbrio. Mas equilíbrio são dois lados da balança. Os dois precisam se doar. E não apenas a mulher. Fica o protesto!

PS.: isso é um personagem feminino. O ponto G. Feminista, a visão feminista e anarquista das mulheres. Não sou eu, pelo menos não meu "eu" todo. Sou feliz com o homem que tenho, muito obrigada. Não pensem bobagens. É um texto para ser engraçado, divertido e fazer os homens pensarem, porque muitas mulheres pensam assim...ok? Beleza? Então tá.E viva a liberdade de expressão...

Faxineira .(ponto)G

6 comentários:

Jô Luz disse...

Apoio o Protesto.
E deixo minha opinião.

"De tanta preocupação em entender o universo masculino, descobri coisas incríveis no meu cachorro!
E, de alguma forma, adapta-lás aos homens, como um adestramento.
A única diferença entre os dois, era que o meu namorado (atual ex), não latia, mais as outras atitudes eram idênticas ao do John Lenon (meu cachorro)."

16 de setembro de 2008 07:21
Fá, .G, Marinha do Brasil e Daida disse...

Jô...excelente idéia..kkkkkkk...o adestramento pode ser um caminho. Sem querer ofender, mas é preciso fazê-los se acostumar...

.G

16 de setembro de 2008 07:37
Fá, .G, Marinha do Brasil e Daida disse...

Gente! As pessoas...!!!!!Gostar de um pinto não significa não gostar do resto do homem...pinto é bom...homem é bom...claro como um pensamento masculino...sem interpretações femininas...! Só isso e ponto. Amiga . G concordo quando você fala em evolução. Acredito que a única coisa que evoluiu num homem foi a mulher! A mãe, a filha, a esposa, as amigas, as tias...diante disso o homem teve que acompanhar a passos lentos...mas um dia ele chega lá. Não que por causa disso a gente deixe de gostar de um pinto!!!

Marinha do Brasil!!! Avante!!!!

16 de setembro de 2008 08:14
Sempre disse...

Meninas, acho que nossa companheira (meio petista isso, mas vamos lá!) conseguiu traduzir muitos de nossos sentimentos. Protesto apoiado com todas as letras. Mas faço uma observação: assim como os homens, nós mulheres também temos desejos sexuais, gostamos do ato em si... a diferença é que pra gente isso não é tudo!! Só pra concluir: mulher gosta de ser bem tratada, seja no trabalho, em casa, pelos filhos, na cama, pelo amante, pelo padeito, pelos amigos... o segredo é saber tratar uma mulher! E olha que é tão fácil.... eu pelo menos acho!

16 de setembro de 2008 09:48
LuuuCiane disse...

Gente, eles são complicadinhos mesmo... A questão é mesmo a involução masculina, G. Lembra aquela piadinha de o que é o que é, quando pergunta o que aconteceu com a primeira mulher que descobriu o que passa na cabeça dos homens... SIM, ELA MORREU DE TANTO RIR.
Relacionar-se com uma de nós, confesso, traz mais calma. Somos mais completas pela identidade de
desígnios. Mas plenitude, plenitude mesmo, só quando há lealdade. A mesma palavrinha quase univitelina de fidelidade... Mas isso aí é assunto pra outros posts.

Texto brilhante, divertido e inquieto, como a autora. Parabéns amore!

16 de setembro de 2008 15:25
Aquiles disse...

Prezada Faxineira .G,

devo confessar que fiquei um tanto espantado com a virulência do seu anarquismo feminista. Não fosse o seu "PS", estaria propenso a pensar que vc seria muito feliz ao lado de outra mulher, dividindo os mesmos toques...

no entanto, vc declarou seu ao amor ao atributo maior do homem. Isso me deixa mais esperançoso, de que exista uma luz no fim desse túnel escuro e molhado.

O homem tbm se doa. e muito. o negócio é que as mulheres costumam observar apenas seu umbigo e esquecem o fardo dos homens. seu personagem precisa de um pouco mais de diplomacia.

mas essa é uma discussão que longe.

seu texto dá prazer em ler!

17 de setembro de 2008 06:39